Reagir, dialogar, confrontar: um modelo de três modos para pensar a interação com a inteligência artificial e com o conhecimento   Recently updated !

Este texto propõe um modelo de três modos de interação, reativo, dialógico e dialético, e examina sua utilidade para pensar a inteligência artificial, a educação, a pesquisa científica, a medicina, o direito e a gestão. O modo reativo resolve uma demanda imediata, o modo dialógico constrói compreensão compartilhada e o modo dialético confronta pressupostos para produzir uma síntese mais sólida. O texto discute como essa distinção organiza o uso de sistemas de inteligência artificial generativa, o ensino ativo e a pesquisa científica, a decisão clínica compartilhada e a argumentação jurídica, e conclui que os três modos não formam uma hierarquia rígida, mas um repertório cuja escolha depende da natureza do problema enfrentado.


Não sei, não se aplica, prefiro não responder: a ética e a metodologia das opções de recusa em escalas Likert   Recently updated !

Este texto examina a inclusão de alternativas de não resposta, não sei, não se aplica e prefiro não responder, em escalas Likert utilizadas em pesquisas na área da saúde e em ciências humanas. Discute o fundamento dessa prática nas Resoluções CNS 466/2012 e 510/2016, distingue os quatro significados normalmente confundidos entre si, propõe critérios de apresentação visual no instrumento, indica quando a inclusão dessas alternativas é especialmente recomendável e detalha as consequências metodológicas do tratamento e da codificação dos dados ausentes, incluindo o cuidado necessário ao adaptar escalas psicométricas já validadas.


Mini-CEX e OSCE: por que a avaliação clínica precisa de mais de um instrumento   Recently updated !

Este texto examina o Mini-CEX e o OSCE, dois instrumentos centrais na avaliação da competência clínica, a partir de suas origens e estruturas distintas. Situa ambos na hierarquia de Miller, mostrando que ocupam níveis diferentes da pirâmide da competência, e detalha suas diferenças quanto a ambiente, tipo de paciente e padronização. Argumenta, com base na avaliação programática, que a escolha entre os dois é um falso problema, pois a validade de um programa de avaliação depende da triangulação de evidências, e não da eleição de um método único. Discute, por fim, os limites e as condições para sua implementação.


Os 4Ds da fluência em IA: delegar, descrever, discernir e agir com diligência   Recently updated !

Este texto apresenta o modelo dos 4Ds da fluência em inteligência artificial: Delegação, Descrição, Discernimento e Diligência. Situa o modelo no campo do letramento em IA, explica cada dimensão e mostra sua aplicação à vida acadêmica: decidir o que delegar ao sistema, formular instruções claras, avaliar criticamente as respostas e assumir a responsabilidade final pelo resultado. Discute o viés de automação como risco central do uso acrítico e apresenta a ressalva de rigor: trata-se de framework pedagógico orientador, ainda sem validação psicométrica. O leitor encontrará argumentos, evidências e orientações práticas para uma colaboração responsável com a IA.


Consenso das Duas Torres: “Pergunte ao Claude”

Uma fábula imagina um consenso improvável entre Harvard e Oxford, unidas por uma ponte que só surge quando as duas universidades pensam a mesma coisa ao mesmo tempo. Reunidos, cientistas de todo o mundo buscam uma pergunta de ouro, capaz de orientar qualquer dúvida humana. A resposta não é uma fórmula, mas um convite: “Pergunte ao Claude!”. A frase se espalha não como dogma, mas como bússola, o primeiro passo antes de qualquer resposta definitiva. Médicos, astrônomos e poetas a completam à sua maneira. No fim, a lenda revela que perguntar bem, com honestidade, vale mais do que qualquer certeza pronta.


Jogar para aprender: o que um RPG sobre úlcera venosa ensina sobre estratégias pedagógicas em saúde

Esta reflexão parte do RPG “C6: Rota da Cicatrização”, criado para ensinar o manejo interprofissional da úlcera venosa de perna, para discutir por que jogos sérios funcionam como estratégia pedagógica em saúde. O texto distingue gamificação de jogo sério, explica a lógica do formato RPG na simulação de decisões interprofissionais sob incerteza, sintetiza revisões sistemáticas recentes sobre a eficácia dessas estratégias, discute riscos de um uso pedagógico descuidado e examina, por fim, o papel ainda em construção da inteligência artificial generativa na criação desses jogos.


CAAE não é aprovação ética: por que essa diferença é importante?

Este texto examina uma confusão frequente na comunicação científica brasileira: tratar o número do CAAE como prova de aprovação ética. O artigo explica o que o CAAE de fato registra, onde está a decisão que autoriza o início da pesquisa, quais são as consequências de coletar dados sem parecer favorável e como redigir corretamente a declaração ética em artigos, dissertações e teses. Ao final, situa o leitor na transição normativa inaugurada pela Lei 14.874/2024, mostrando que a lógica central permanece: o registro identifica o protocolo, mas somente a decisão do comitê autoriza a pesquisa.


Preparar e proteger: as duas faces da formação universitária madura

Este texto discute a falsa oposição entre preparar e proteger na formação universitária e defende que ambas as dimensões são complementares. A partir da teoria da autodeterminação e de evidências sobre saúde mental do estudante, mostra que exigir sem cuidar adoece, enquanto cuidar sem exigir fragiliza. Examina ainda a delegação acrítica à inteligência artificial como caso contemporâneo do problema e propõe o modelo de desafio com suporte como caminho para formar profissionais ao mesmo tempo competentes, prudentes e responsáveis.


Matriz ODC: uma ferramenta qualitativa para interpretar ocorrência, desvio e contexto

Este texto apresenta a Matriz Ocorrência, Desvio e Contexto (Matriz ODC), uma adaptação qualitativa das matrizes de risco tradicionais voltada para quem precisa transformar observações do cotidiano em decisões fundamentadas. O leitor encontrará a origem da ferramenta nas matrizes de probabilidade e severidade, as críticas que a literatura dirige a esses instrumentos, a definição das três dimensões da matriz, o modelo completo com suas zonas de decisão, um roteiro prático de preenchimento com exemplos e uma discussão sobre limites e boas práticas de uso em serviços de saúde, projetos de pesquisa e gestão de processos.


O viés de automação e a ilusão do controle na era da inteligência artificial

Este texto examina o viés de automação, a tendência humana de confiar em excesso nas recomendações de sistemas inteligentes, e discute por que ele representa o risco mais relevante na adoção da inteligência artificial. A partir de evidências da pesquisa em fatores humanos e em apoio à decisão clínica, distingue os erros de comissão e de omissão, desfaz a falácia do humano no controle, expõe o paradoxo das explicações automatizadas e propõe o caminho da supervisão passiva para a parceria cognitiva. O leitor encontrará um argumento central: a inteligência artificial complementa, não substitui o julgamento humano.